Não faltam mentiras do setor automotivo circulando por aí, exigindo a esperteza do comprador, do motorista e às vezes, até do governo! Confira sete destas:

1 – Bujão

Pode uma fábrica anunciar ABS em seu carro e explicar depois que as letras são iniciais de Abertura do Bujão Superior? Não é correto se utilizar de sigla já consagrada para identificar outro dispositivo, confundindo o consumidor. Mas foi o que fez a Hyundai, ao lançar o Creta no Brasil: anunciou que o SUV tem o sistema Stop&Go. Denominação há muitos anos vinculada ao sofisticado sistema eletrônico que mantém o carro à distância constante de outro que vai à sua frente, até mesmo parar automaticamente, graças a sensores e radares que assumem acelerador e freio. Atua com o carro em movimento e também quando o da frente para e torna a arrancar. No caso da Hyundai, é propaganda enganosa: Stop&Go no Creta não vai além do sistema que desliga e liga o motor quando o carro para, chamado universalmente de start/stop, presente até em compactos nacionais.

2 – Braços

Multilink (multibraço) é a denominação consagrada do sistema de suspensão independente com braços múltiplos para conectar a manga de eixo ao chassis do carro. Sofisticado, faz com que as rodas se mantenham em posição ideal nas mais variadas situações dinâmicas. Confere extrema estabilidade e, no Brasil, o Ford Focus, com esta suspensão na traseira, está entre os automóveis de melhor dirigibilidade do mercado. A Nissan, quando apresentou a atual geração de sua famosa picape Frontier, fez jus à fama: excelente mecânica, anda bem no asfalto e fora dele, cabine espaçosa, confortável e bem acabada. Não precisava, portanto, de anunciar suspensão traseira multilink, uma grande mentira, pois ela sequer é independente: um rígido eixo liga as rodas traseiras.

3 – Alergia

Antes mesmo de construir sua fábrica no Brasil, a BMW decidiu “flexibilizar” alguns de seus motores. Assim, a Série 3, além de ganhar o motor “Active Flex”, foi dotada também do dispositivo start/stop que desliga e liga o motor nas paradas. A BMW só se “esqueceu” de avisar ao distinto público (e ao governo) que o sistema start/stop só operava com o tanque abastecido com gasolina. Tinha alergia ao álcool.

4 – “Desempenho”

A mais disputada competição no Brasil é a Stock Car. Mas é também a maior mentira do automobilismo brasileiro, pois apesar dos diferentes emblemas na grade, os carros são exatamente idênticos e não contam com sequer um parafuso da marca insinuada pelo logotipo frontal. Mas a Peugeot, quando ganhou uma corrida no autódromo de Brasília, teve a cara-de-pau de anunciar que, “graças à resistência e desempenho do Peugeot 307 a marca foi vitoriosa na Stock Car”. Pode?

5 – Cavalos

O grupo CAOA sossegou, depois de várias advertências e multas aplicadas pelo Conar e Ministério Público: a empresa, licenciada pela Hyundai para fabricar alguns de seus modelos em Anápolis (GO) e importar vários outros da Coreia do Sul, foi campeã da propaganda enganosa no Brasil. Entre outras, anunciou que seu “esportivo” Veloster tinha motor de 140 cv. O carro tinha o mesmo motor de 128 cv que o do HB20 produzido pela Hyundai em Piracicaba. E os doze cavalinhos faltantes? Só existiam nos modelos exportados para a Europa e EUA, com injeção direta de combustível. A CAOA chegou a afirmar que a maior potência era decorrente dos 25% de álcool misturados à gasolina brasileira. Foi uma das mentiras do setor automotivo que chegou ao governo!

6 – Aditivos

Ninguém discute a importância dos aditivos na gasolina, que evitam a formação de depósitos no motor, prejudicando a combustão e reduzindo o desempenho. Mas, anunciar que a gasolina aditivada aumenta a performance é propaganda enganosa. A Shell V-Power Nitro+, por exemplo, tem mais octanas na Europa e pode eventualmente aumentar a potência do motor. Mas no Brasil tem o mesmo índice de octanagem que qualquer outra gasolina.

7 – Água

Por que a ficha técnica do porta-malas de alguns automóveis declaram capacidade maior que a real? Porque o fabricante despreza o padrão VDA de medição (por blocos) e chegam a usar água, que entra em qualquer cantinho mas não reflete o volume efetivamente utilizável. No caso de SUVs e hatches, tem fábrica que vai até o teto e inclui o volume acima da tampa (“bagagito”), onde não se deve levar bagagem por questão de segurança. Bons exemplos desta distorção estão nos carros da PSA (Peugeot/Citroën) e Land Rover.