Dos filtros aos aditivos, especialistas apontam para os principais pontos você deve ficar atento para não cair em ciladas.

“Quer que veja o óleo, chefe?” é uma das frases mais ouvidas quando o carro para no posto de gasolina. Você já deve ter recebido um cutucão do passageiro, que diz quase desesperado: não deixe!

Ou recebeu uma “dica infalível” de como fazer o motor render mais, colocando um aditivo ou óleo diferente no seu carro. Por isso reunimos aqui as dicas para que a hora de trocar o lubrificante do seu veículo para seja uma cilada.

1 – Conferir o óleo em casa ou quando o carro estiver parado

Pode agradecer ao frentista e deixar pra lá, já que ver o nível do óleo no posto não é o método mais confiável. Ao ligar o carro, o lubrificante é jogado no motor para exercer seu papel de diminuir a fricção entre as partes móveis.

Por consequência, o cárter, onde o óleo fica guardado, terá um menor volume de lubrificante e o medidor acusará que é preciso completar. Quando o carro ficar parado e todo o conteúdo for jogado novamente no cárter, o conteúdo irá vazar.

Se você quer checar o nível do lubrificante, opte por fazer isso logo pela manhã, em um local plano. Você precisará de um pano ou papel para limpar o mostrador.

Basta puxar a vareta pelo anel amarelo ou vermelho, retirar o excesso com o pano e colocar novamente para verificar o nível de óleo pelos marcadores. Use um pano que não deixe fiapos na vareta, ou o óleo pode ser contaminado.

2 – Diferenças entre troca de óleo por gravidade e por sucção

Por gravidade, basta abrir o bujão (um parafuso com rosca no fundo do cárter) e deixar o óleo escorrer. Por diálise, é feita por sucção, o que garante uma retirada do lubrificante das partes mais periféricas do motor.

Nesse método, o profissional precisa ser capacitado para utilizar a bomba que retira o óleo do motor, mas nem todos os carros são projetados para passar por esse procedimento.

Somente por gravidade o lubrificante antigo pode ficar parado com borras de sujeira em partes distantes do cárter. A troca de óleo com o motor quente ameniza um pouco esse processo, mas ainda existe a possibilidade desses resquícios permanecerem no motor.

3 – O que é “Flushing”?

Além da sucção, outro método para retirar o óleo velho do motor é o flushing (“enxaguar” ou “dar descarga”, em inglês). Ele consiste em usar um produto químico que literalmente lava o lubrificante das partes móveis.

O flushing só é recomendado quando a quantidade de borra no motor é muito alta e outros métodos de retirada não funcionam. O bom é que retira toda a sujeira das partes periféricas do motor antes de colocar o óleo novo, o que preserva e garante sua durabilidade.

Entretanto, há um método mais indicado que o flushing: a desmontagem do motor, pois o produto do flushing pode misturar com o óleo velho em alguma cavidade do motor, oxidando o novo com mais facilidade. O ideal é desmontar [o motor] e limpar as peças para garantir.

4 – Sempre troque o filtro de óleo

É consenso entre os especialistas que a troca de óleo a cada 5 mil ou 10 mil quilômetros deve ser acompanhada da substituição do filtro. E isso influencia até na durabilidade do lubrificante novo.

O que ocorre é que as impurezas geradas pela fricção das peças ficam grudadas no filtro do óleo. Quando o novo lubrificante passar por essa sujeira, pode oxidar mais rápido e, com isso, perder a viscosidade e as propriedades específicas de fábrica.

5 – Preciso trocar o bujão também?

O parafuso do cárter, chamado bujão, só deve ser trocado quando não cumprir mais sua função: vedar o óleo dentro do compartimento. É possível aproveitar e trocar o bujão. Fica a critério do mecânico, mas isso só acontece quando ele está bem danificado.

Vale sempre checar se na garagem ou em locais onde o veículo fica muito tempo parado ocorre a formação de poças de óleo. Isso indica que existe alguma falha no sistema de vedação do cárter.

6 – Devo colocar aditivo no óleo do motor?

Existe uma polêmica sobre colocar ou não um aditivo químico no óleo lubrificante, mas os especialistas advertem quanto ao uso e não recomendam.

Diferentemente da gasolina, em que é possível escolher comum ou aditivada, não existe um óleo ‘comum’, todos eles já vêm com aditivos. Colocar algo a mais quebra o balanço de aditivação. Ele já é balanceado para funcionar de forma correta.

A indústria dos aditivos surgiu com a utilização dos lubrificantes errados. Se você usar o produto certo, não vai precisar colocar nada mais. É perigoso usar, ainda mais em veículos mais novos.

7 – Meu carro ficou muito tempo parado. Troco o óleo mesmo assim?

Como qualquer produto químico, o lubrificante tem uma data de validade que estabelece até quando suas propriedades físicas são garantidas. Viscosidade e desempenho no frio ou no calor são algumas delas.

Por isso, mesmo que o carro tenha andado pouco e não tenha atingido o limite da quilometragem daquele óleo é preciso fazer a troca a cada seis meses. “O que ocorrer primeiro”, dizem os especialistas.

8 – Qual o melhor: óleo mineral ou sintético?

Carros mais antigos costumam precisar de óleo mineral, enquanto os mais novos usam o sintético. É possível fazer a troca do mineral pelo sintético seguindo as especificações de viscosidade e desempenho que estão no manual do proprietário do veículo.

Já o contrário – ou seja, a troca do sintético pelo mineral – não deve ser feito porque a qualidade do primeiro não é tão boa. O sintético é superior, na hora da troca ele vai estar em uma condição muito melhor [do que o mineral].

9 – Como escolher o melhor óleo para o meu carro?

A dica de ouro dos especialistas é simples: leia o manual. Nele consta o tipo de lubrificante específico que foi testado para o seu motor. Usar o óleo errado pode diminuir a vida útil e até alterar o consumo do veículo.

Não é obrigatório usar uma marca X ou Y, contanto que as especificações técnicas do manual sejam seguidas.

10 – Cárter seco ou úmido?

Se você gosta de carros esportivos e superesportivos, essa parte é para você. Um veículo de alto desempenho precisa de um cárter seco para funcionar melhor.

Em altas velocidades, o cárter úmido, mais comum, pode ficar com mais óleo em uma parte que em outra. Além disso, em altas rotações, pode gerar espuma, o que não é desejado e compromete o desempenho do motor.

Já o cárter seco utiliza um sistema de bombas e reservatórios diferentes e específicos para cada parte do motor, podendo controlar melhor a quantidade de óleo em cada situação. Por ser um sistema mais complexo, acaba sendo mais caro e, por isso, não é tão comum em carros de passeio.

Ele também não sofre tanto com a ação das forças atuantes quando o carro está em altas velocidades ou fazendo curvas acentuadas. Além disso, o cárter seco permite que o veículo fique mais baixo, ideal para manter a estabilidade nessas situações.

DICA EXTRA: mais óleo no turbo

Cada vez mais populares, os motores turbo precisam de mais óleo que seus equivalentes aspirados. No caso dos 1.0 12V da Volkswagen, por exemplo, a diferença para as versões TSI é de 700 ml adicionais.

Isso acontece porque a árvore do turbocompressor é lubrificada e sustentada pelo óleo, que também tem um circuito extra para percorrer e pode incluir um trocador de calor para refrigeração. Também por isso esses motores são mais sensíveis ao uso incorreto de lubrificantes: caso o óleo deles não seja trocado de forma e no tempo correto, o turbocompressor inevitavelmente também sofrerá danos.